sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Valorizando Lembranças - Andrés Guaçurary y Artigas


                        
                       O Comandante Geral das Missões Andrés Guaçurary y Artigas, é um personagem que na história Nacional é desconhecida pela maioria, e a nível regional é exaltado por alguns estudiosos e repudiados por outros. Para espanhóis um índio bárbaro e sanguinário, para portugueses um saqueador torturador de inimigos, para missioneiros um herói que defendeu o território Guarani com bravura.

                                    Nascido em 30 de novembro de 1792, em São Borja, de acordo com livro de registro de batismo deste povo, e conforme revela carta de seu pai adotivo, General José Artigas,  que teria enviado a Andresito nos primeiros dias do mês de outubro de 1816, onde diz:

“... espero que sabrá recuperar con  valentía, cuando yo lo disponga y avise, la espada que perdió frente al pueblo de San Borja su amada cuña y la de sus padres...”

Andresito não era índio puro, filho de índia São-borjense e de pai espanhol desconhecido, de estatura baixa,  mas porém corpulento, de olhos verdes de olhar profundo, pele rosada, com rosto arredondado salpicado de cicatrizes de varíula.

O sobrenome Guaçurary é de origem Guarani estando escrito em Português, a forma correta seria Guazúrary (Veado veloz), alguns autores escrevem Andrés Tacuary, mas é uma forma incorreta.

Em 1801 com o domínio Português no território Missioneiro, seu nome passou a ser escrito Guacurary, e nesta época tanto os militares como os estancieiros aprisionavam e escravizavam os índios, obrigando-os a trabalhar para si, ou abandonar o território.

Andresito com inúmeros indígenas, cansados das injustiças e atrocidades praticadas pelos portugueses, cruzou o Rio Uruguai rumo a praça dos laranjais de Santo Tomé, onde escutou diversos relatos de índios missioneiros contra a opressão, e começou assim a sua luta por justiça.

Antes de 1810 Andresito serviu as tropas espanholas como soldado recebendo instruções militares, onde obteve a sua iniciação de militante em prol do ideal da justiça e da liberdade. Foi um excelente ginete, estrategista, hábil combatente, o que lê deu muito prestigio e levou a alcançar sua máxima patente no Corpo de Blandengues de la Pátria de José Artigas. Desde então foram muitos anos de batalhas incessante pelos três paises das Missões, muitas vitórias, dia-a-dia em prol da defesa do ideal Missioneiro.

Em 24 de junho de 1819, após uma derrota no Combate de Itacurubí que resultou na morte de mais de 300 índios, e outros 200 separados em grupos, bateram em retirada pelas terras missioneiras, quando no Passo de Santo Izidro (atualmente Passo de São Lucas) a beira do Rio Uruguai a um mergulho da liberdade, o grupo de Andresito foi capturado. Andrés Guaçurary preso e levado para o Povo de São Luis, e posteriormente para São Borja antes de ser levado para o Rio de Janeiro, onde veio a falecer possivelmente envenenado nos fundos de um  Calabouço no Forte de Santa Cruz na Ilha das Cobras.

Sua morte ainda é um mar de suposições, e de indagações, mas a realidade histórica parece ser esta, porem a história piedosamente tende a colocar um manto de silêncio sobre o verdadeiro momento, local e causa de sua morte.

Terminava assim para os Portugueses um longo pesadelo que Andrés Guaçurary y Artigas e seus homens teriam iniciado no ano de 1816 com o cerco de São Borja. Casualidade ou destino? O caminho de São Borja na vida de Andresito, aqui começou sua campanha contra os Portugueses, em defesa da soberania Missioneira, e aqui encerrava sua carreira brilhante como Blandengue, Comandante de Missiones, Comandante Geral de Corrientes e Chefe do Exercito Livre Guarani Ocidental. E em São Borja o começo e fim de um ciclo pessoal para Andrés Guaçurary y Artigas.


 Fonte:

SAVOINI, Juan Luis; Andrés Guaçurary y Artigas. La destrucción de las misiones occidentales. Santo Tomé, 1990.

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