segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Missioneira Itaqui



                A vizinha cidade de Itaqui está de olho no turismo missioneiro e querendo integrar-se à Rota Missões. Itaqui quer fazer parte da indústria sem chaminés, a indústria do turismo, e para isto está intensificando as pesquisas e o resgate cultural, no sentido de qualificar-se para receber e ter o que mostrar aos turistas.  O que não é difícil, pois os casarões do inicio do século passado, aliados aos seus belos muros de pedra, e a hospitalidade do povo de Itaqui, por si só garantiria uma visita agradável.

A municipalidade está se estruturando: o Cais do Porto passou por uma ampla reforma e  ficou um dos mais belos da fronteira; o Mercado Público de Itaqui, datado de 1907, patrimônio histórico tombado pelo IPHAE, está com projeto tramitando no Ministério da Cultura para ser restaurado e transformar-se, no pólo turístico cultural da região; também há a colocação de diversos monumentos que relembram o passado de Itaqui, como, por exemplo, uma cruz missioneira no Parcão, símbolo máximo das cidades missioneiras. Existe um projeto para homenagear, no Sesquicentenário de Itaqui, à Hemetério José Veloso da Silveira, o emancipador de Itaqui. Este projeto já está em negociação com os artistas plásticos Rossini Rodrigues e Jorge Costa. Provavelmente será aplicado e instalado no novo Cais do Porto de Itaqui.

               Há quem discorde que Itaqui não é missioneira. Porém, a Revista Armazém da Cultura publicou em uma de suas edições uma pesquisa confirmando definitivamente que o povo de “Ytaqui” é mais antigo, por exemplo, que a cidade de Santo Ângelo. Em 1690, Itaqui já aparecia no mapa dos povos missioneiros feito pela Companhia de Jesus. Na realidade era uma Capela ou ponto avançado de La Cruz. A revista conseguiu uma cópia deste documento, já que seu original encontra-se no Arquivo Geral do Vaticano. O mapa é um documento que permitirá, com propriedade, que a cidade tricentenária de Itaqui entre para a Rota Missões e faça parte do caminho das Missões, e possa assim trabalhar articulada com a cidade de São Borja em busca de rotas alternativas para o desenvolvimento do turismo regional.

Itaqui, já acertou na Cruz.

                 Recentemente a Prefeitura Municipal de Itaqui mandou colocar uma cruz missioneira no Parcão da cidade. O monumento destaca-se pela beleza, todo em pedra grês, em um único bloco. Está posto em um local de grande visibilidade. E agora a municipalidade trabalha incentivando o resgate de suas raízes e apoiando a educação patrimonial de forma que enalteça a auto-estima da população. Uma bela iniciativa. Em São Borja optou-se colocar a cruz de Lorena no trevo da cidade, porém ela não simboliza o município como um povo missioneiro. Diferentemente da Cruz Missioneira (adotada por Itaqui) que é a cruz usada em todos os povos das missões.

Matéria publicada em 2008 no Jornal Alternativo

2 comentários:

  1. parabens pelo trabalho!!!qui maravilha encontrar entre tanta desgraças culturais alguém que FAZ algo pela nossa VIDA.Um grande abraço e Muito Obrigado!

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  2. Olha, moro em itaqui, ja é 2013 e até agora nada foi feito, a cruz encontra-se no parcão mas nós não viramos rota missoes, e os sitios arqueológicos ainda estão sem estudos.

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