A Procissão de São Joãozinho Batista como expressão da cultura missioneira
Segundo a
tradição oral, sua origem está ligada à promessa feita por uma mãe durante a
Guerra do Paraguai. Devota de São João Batista, ela prometeu que, caso seu
filho retornasse vivo do conflito, realizaria uma procissão em homenagem ao
santo. O filho voltou com vida e trouxe consigo uma imagem de São João Batista
para cumprir a promessa. A imagem original era de origem jesuítico-missioneira,
sendo posteriormente substituída por outra mais leve para facilitar seu
transporte.
A procissão é
marcada por diversos rituais e elementos simbólicos. Um dos mais conhecidos é o
banho do santo na Fonte de São João Batista, também de origem missioneira.
Nesse momento, uma pessoa entra nas águas da fonte carregando o andor sobre a
cabeça e realiza uma volta ritualística, acompanhada por cânticos tradicionais
próprios da celebração.
Trata-se de uma
procissão de caráter popular, historicamente organizada por uma figura
conhecida como “festeira”, responsável pela condução dos preparativos. Com o
passar do tempo, o poder público passou a oferecer apoio logístico ao evento.
Até a década de
1960, a procissão contava com o apoio da Igreja Católica. Os romeiros
percorriam as ruas da cidade e, ao passarem em frente à Igreja Matriz, recebiam
a bênção do pároco. Posteriormente, devido ao forte sincretismo religioso
presente na manifestação, a celebração passou a ser considerada profana por um
pároco da época, perdendo o apoio institucional da Igreja. A partir de então, o
percurso foi reduzido, passando a ocorrer entre a casa da festeira e a Fonte de
São João Batista.
Procissão de
São Joãozinho Batista constitui um importante patrimônio cultural imaterial de
São Borja, preservando memórias, práticas e tradições que atravessam gerações.



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